Fórmula 1 2016 – O que vem por aí?

29/02/2016

– por Leandro Florenzo (engenheiro mecânico e piloto)

     Praticamente todos os novos bólidos já foram lançados e os testes em Barcelona já se iniciaram. Mas o que esperar de 2016?

    É sabido que a apresentação dos novos carros esconde boa parte das inovações embaixo do capô. Se ainda levarmos em conta que o regulamento é muito similar ao do ano passado, realmente não se pode esperar por muitas mudanças (tanto nos carros como tabela de classificação). E mesmo durante os testes, poucos mostram seu real potencial. Entretanto, há quem esteja prometendo que as coisas nessa temporada serão um pouco mais apimentadas… Vejamos o que as quatro principais equipes da Fórmula 1 nos trouxeram até o momento!

MERCEDES F1 W07 HYBRID

 

    Externamente, a Mercedes parece exatamente o mesmo carro que venceu 16 das 19 corridas de 2015. Uma supremacia tão inquestionável que já não se esperava uma revolução no carro.

     Entretanto, o discurso da equipe é bem diferente: “o objetivo é obter excelência em todas as áreas e, apesar dos resultados fantástico do ano passado, ainda existem diversas áreas para evoluir”, informou o diretor técnico Paddy Lowe. “Algumas corridas em 2015 não ocorreram de acordo com o planejado – Cingapura em particular – então tivemos muito o que melhorar para 2016. Visamos otimização em absolutamente tudo”.

     Como se nota, o discurso mostra mais do que o carro em si. A Mercedes já tinha, de longe, o melhor carro do grid. E aparentemente não passaram dezembro e janeiro de férias, acomodados com essa posição. A vantagem tecnológica obtida em 2015, juntamente com a busca pela perfeição e sob um regulamento praticamente inalterado, certamente mantém a Mercedes como favorita para 2016.

FERRARI SF16-H

 

     Se existe uma equipe cheia de vontade de tirar a supremacia da Mercedes, essa equipe é a Ferrari. O jejum de título dura desde 2008, quando a Scuderia foi campeã mesmo com Massa perdendo o título na última curva para Lewis Hamilton. A pressão por uma nova conquista, portanto, é enorme.

     Ao contrário da maioria das equipes, as mudanças no carro já são mais nítidas, a começar pela nova pintura. Apesar de não significar uma melhora de desempenho, as cores escolhidas para o carro são assunto sério em Maranello. Em 1993, o modelo F93A foi um perfeito fracasso, não conquistando uma única vitória na temporada. As cores? Vermelho com uma faixa branca. A decisão do então presidente Luca di Montezemolo? Banir a pintura para sempre. Já quando Jean Todt integrou a equipe, o carro passou a ser totalmente vermelho, apenas com as asas dianteiras e traseiras na cor branca. O sucesso da era Schumacher fez com que a pintura permanecesse praticamente a mesma por 7 anos (2000 – 2006). Agora, o branco foi novamente incluído na pintura, em uma tentativa de relembrar os tempos áureos dos anos 70, quando os tifosi (torcedores italianos) comemoraram o título com Niki Lauda.

     Mas, felizmente, as mudanças não ficam só na pintura. O bico do carro encurtou, ficando agora muito parecido com os adotados por Red Bull e Williams em 2015. Apesar do aspecto estético ser questionável, esse tipo de nosebox permite um maior fluxo de ar para baixo do carro. Se bem utilizado, esse fluxo pode gerar mais downforce, melhorando a aderência.

     Outras alterações sutis na aerodinâmica podem ser notadas, tais como: saídas de ar quente nas laterais do carro, ao lado do cockpit, as quais auxiliam na dissipação de calor, apesar de prejudicarem levemente a eficiência aerodinâmica; maior airbox – entrada de ar para o motor, localizada acima da cabeça do piloto; estreitamento da parte inferir da traseira, graças a um câmbio mais compacto.

    Entretanto, as principais mudanças no SF16-H concentraram-se na unidade motriz. E falamos em unidade motriz, pois hoje em dia os bólidos não são impulsionados apenas pelos singelos motores V6 turbo de 1.6 litro. Existem dois geradores que auxiliam o motor a combustão: MGU-H e MGU-K. Mas calma, apesar da sopa de letrinhas, a teoria é simples: basicamente, o MGU-H (Motor Generator Unit, com o “H” referindo-se à heat – calor) recupera a energia do eixo da turbina e a armazena para, posteriormente, alterar a velocidade da própria turbina de acordo com a necessidade, evitando o “atraso do turbo” (turbo lag) nas saídas de curva, quando o piloto volta o pé no acelerador. Já o MGU-K, com “K” referindo-se a kinetic –cinética, converte a energia cinética gerada nas freadas em energia elétrica (o normal seria que essa energia se transformasse em calor, situação na qual é comum observar os discos de freio ficarem incandescentes). Sob aceleração, essa energia é utilizada para auxiliar o motor a combustão na propulsão do carro. Considerando que esse “auxílio” pode chegar a 150 hp, um problema na unidade MGU-K significa bye bye corrida.

    Mas voltemos às vacas frias. Para se ter uma ideia de quão revolucionário é o novo projeto da Ferrari, apenas a MGU-H permaneceu na mesma posição em que se encontrava no modelo de 2015. Todos os demais componentes da unidade motriz sofreram alguma alteração. Vejamos: apenas um intercooler era utilizado em 2015, localizado acima do motor. No novo projeto, o componente foi substituído por outros dois de tamanho menor, localizados na parte anterior do motor, sendo um deles praticamente atrás da cabeça do piloto e outro próximo ao assoalho. A MGU-K também teve seu posicionamento alterado: em vez de localizar-se junto ao câmbio, agora o gerador fica mais abaixo, também próximo ao assoalho. Dessa forma, o câmbio agora possui dimensões menores e, consequentemente a carroceria fica mais estreita, o que melhora a eficiência aerodinâmica. Tal mudança, juntamente com um tanque de óleo mais baixo e largo do que em 2015, faz com que o centro de gravidade tenha se deslocado para baixo, o que melhora a estabilidade em curvas.

    Obviamente que essas são apenas as mudanças de que se tem notícia, porém muito mais coisa deve vir por aí. Serão suficientes para competir com a Mercedes? Nem os testes na Espanha podem responder. Mas como única equipe a ter vencido em 2015 além das Flechas de Prata (foram 3 conquistas com Sebastian Vettel), a Scuderia aparece, pelo menos por enquanto, como principal rival. Vettel vem cheio de vontade, e desde que chegou à equipe vestiu a camisa como poucos. E Räikkönen agora tem um contrato baseado em produtividade, assim como na boa fase que teve na Lotus, fazendo com que a equipe pagasse um bônus muito maior do que o esperado. Assim, não faltam motivos para acreditar, finalmente, na volta da Scuderia Ferrari.

WILLIAMS-MERCEDES FW38

 

     De acordo com a aparência do carro, pode-se dizer que os engenheiros e designers da equipe voltaram das férias, olharam para o carro de 2015 e disseram: “foi uma boa temporada, melhor não mudar nada… O carro está lindo assim”. Nem na pintura, nem na aerodinâmica observa-se qualquer mudança substancial de 2015 para o novo modelo.

     Entretanto, a equipe garante que a evolução foi grande. Lembremos que a velocidade de reta dos carros da equipe inglesa nunca foi um problema, afinal, contam com a melhor unidade motriz existente na atualidade. Em pistas de longas retas, o desempenho da Williams foi fantástico, inclusive incomodando a equipe campeã em algumas classificações e em momentos específicos de uma corrida ou outra. Já em circuitos mais travados, a performance passou a ser quase uma vergonha.

     De acordo com o brasileiro Felipe Massa, esse foi o principal ponto a ser melhorado e, segundo ele, obtiveram êxito. Massa afirmou que o carro agora possui mais downforce sem que isso tenha resultado em perdas de velocidade. Se isso de fato se concretizar, a Williams deve continuar brigando por pódios. Porém, acreditar em alguma vitória é bem mais difícil…

MCLAREN MP4-31

 

     Depois de um primeiro ano desastroso da volta da parceria McLaren-Honda, o time de Woking certamente reuniu o máximo de informações para inovar em 2016. Ainda assim, é difícil crer que o carro será competitivo, mesmo havendo melhoras significativas. Até mesmo Ron Dennis, presidente e CEO do grupo McLaren, se recusou em prever quando o time pode voltar a vencer.

   Entretanto, não há como subestimar a capacidade da McLaren, e muito menos da Honda. Ambos estão empenhados e dedicados em evoluir o mais rápido possível. Para 2016, a Honda afirma estar confiante em fornecer uma unidade motriz confiável, com os sistemas de recuperação de energia funcionando adequadamente. Já a McLaren tem como objetivo melhorar a eficiência aerodinâmica e encontrar a estabilidade ideal do chassis com a nova unidade motriz desenvolvida para esse ano.

    Assim, a tendência é que a performance seja menos embaraçosa do que em 2015 e a presença na zona de pontuação seja constante.

FAIXA BÔNUS: HAAS-FERRARI VF-16

 

     Talvez a principal novidade da pré-temporada fique mesmo por conta da estreante norte-americana. Apesar de uma briga por pontos ser uma tarefa complicada, a Haas é ambiciosa. A equipe afirma que não vai ser mais uma das “nanicas” que tentaram entrar na Fórmula 1 e saíram pouco tempo depois, após resultados pífios e uma enorme conta a pagar. A fim de driblar esse desafio, a Haas informa que sua entrada na principal categoria do automobilismo foi cuidadosamente estudada e planejada, minimizando os inevitáveis erros de principiante.

     De acordo com o diretor de equipe, Guenther Steiner, o objetivo é terminar todas as corridas e, de preferência, marcando pontos. Vale lembrar que outras estreantes tiveram grande dificuldade em atingir um objetivo como esse. A confiança da Haas baseia-se, em grande parte, no motor Ferrari. Ainda segundo Steiner, a unidade motriz da scuderia italiana definiu como seria a parte traseira e o tamanho do carro, o que permitiu um grande avanço aerodinâmico.

     A Haas conta ainda com uma dupla de pilotos de experiência razoável: Romain Grosjean e Esteban Gutierrez. Apesar da consistência e frieza não serem exatamente os seus pontos fortes, a velocidade de cada um é inquestionável: ambos obtiveram bons resultados em classificações.

     Como dizem por aí, é mais fácil falar do que fazer. Mas do que depender das ambições da Haas, as equipes médias que se cuidem.

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