HAMILTON TRI, MAS SERÁ QUE É IGUAL AOS OUTROS “TRI?

 – por Alexandre Vasconcellos

 

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O inglês Lewis Hamilton pode ter conquistado seu tricampeonato no GP dos EUA de forma impiedosa, literalmente destruindo o pobre Nico Rosberg, mas será que esse feito o coloca de verdade ao lado de mitos como Ayrton Senna, Nelson Piquet, Nikki Lauda, Jackie Stewart e Jack Brabham? Pessoalmente não vejo assim. Hamilton é um piloto determinado, rápido, arrojado, mas como disse Jackie Stewart: “Ainda levará muito tempo para Lewis se consagrar entre os grandes”.  E eu concordo. Hamilton não teve adversários em 2014 e 2015, pois o Rosberguinho é as vezes rápido, as vezes não erra, as vezes bate o companheiro de equipe, e no automobilismo “as vezes” não conta; e esse foi justamente o mérito de Hamilton: ser mais constante do que Rosberg.  Ele merece o título, mas não pode nem de longe ser comparado ao Brabham – que tinha Clark, Stewart, Hill, Surtees, Rodriguez, Amon, McLaren e Gurney, para citar alguns de seus adversários. Ou ainda Stewart que tinha Brabham, Fittipaldi, Peterson, Ickx, Rodriguez, Amon; Lauda, que enfrentou Fittipaldi, Hunt, Prost, Piquet, Regazzoni, Scheckter ou ainda Piquet que batalhou com Prost, Arnoux, Reutemann, Laffite, Mansell, Senna…e este, que travou lutas inesquecíveis com Prost e Mansell.

Ele é muito bom, mas sem adversários equipados para vencê-lo.

Que em 2016 tenhamos uma McLaren Honda (Alonso/ Button) em condições de lutar com a Mercedes ou que a Red Bull (Ricciardo e Kvyat) tenha motor e a Ferrari tenha carro para Vettel de verdade brigar pelo título; e que a Williams/ Massinha possam chegar ao topo do mundo. E se nessas condições Lewis vencer, aí ele estará mais perto do olimpo!!

O melhor GP do ano

Sempre que a pista está molhada ou úmida, a diferença entre os carros mais rápidos pode diminuir; não para os carros ruins, porque esses se já são ruins no seco, na chuva ficam muito piores, mas entre Mercedes, Ferrari, Red Bull, Toro Rosso e até mesmo McLaren, as distâncias ficaram menores, o que nos presenteou com um show de ultrapassagens, manobra arriscadas, escapadas de pista e alguns toques. A prova foi um presente para um final de semana que parecia perdido, em função do pouco treino e da chuva torrencial na sexta e sábado.

Podemos destacar as atuações brilhantes de alguns pilotos:

  • da dupla da Red Bull (até Kvyat errar e abraçar o guard-rail encerrando sua diversão) e da admirável habilidade de Ricciardo em achar uma maneira de ultrapassar seus adversários
  • o arrojo incrível de Alonso – que recuperação fantástica e que pilotagem do espanhol ultrapassando um carro muito mais veloz como a Force Índia (Perez) até a nova versão do motor Honda abrir o bico e ele ver sua chance de fazer um 5o lugar sumir em 5 voltas
  • mesmo com alguns sustos, que belo desfile do garoto Verstappen, aproveitando bem as chances que teve e levando a Toro Rosso até o final, para abraçar um exuberante 4o lugar
  • grande recuperação também de Felipe Nasr, de último 2 voltas atrás, para um improvável 9o lugar
  • e mais uma prova muito segura e eficiente de Jenson Button – este piloto que, na minha opinião, é pouco valorizado, mas como ele é eficiente, tirando tudo que é possível do carro

Bem, é claro que a chuva e as bandeiras amarelas com safety-car ajudaram esses pilotos, mas a condição era igual para todos, certo? Então eles merecem esse destaque, porque é isso que diferencia um grande piloto de um bom piloto: quando a chance surge, ele abraça, morde e trava os dentes, só largando quando a bandeirada da conquista é mostrada. É simples assim. Os pilotos medianos, ou bons, se preferir, as vezes aproveitam, as vezes não. E isso os torna segundinhos; segundinhos como é Nico Rosberg, como foi Riccardo Patrese para Nigel Mansell na imbatível Williams FW14 eletrônica ou para Nelson Piquet na Brabham; Gehard Berger para Ayrton Senna nos anos de McLaren Honda; François Cevert para Jackie Stewart na Tyrrell ou ainda Jochen Mass para Emerson Fittipaldi na McLaren.

E isso também serve para dar um desconto a conquista de Lewis Hamilton. Em 2007, aqui em Interlagos, ele escorregou na baba, tremeu literalmente ao chegar perto da conquista do título. Apertou botões errados, tentou ultrapassar na hora que não precisava e acabou estragando sua chance de ser campeão no 1o ano de fórmula 1 e derrotar Fernado Alonso, Kimi Raikkonen e Felipe Massa.

No ano seguinte, 2008, ele fez um erro parecido – apertou o botão do ponto morto no final da reta oposta e ficou para trás; a equipe conseguiu acalmá-lo e ele se recuperou, mas quase que o campeonato vai embora. Infelizmente, para a sorte e até mérido dele, acabou levando o título que era de Felipe Massa por mérito. Afinal Massinha poderia ter sido campeão com folga, não fosse a quebra de sua Ferrari na Hungria. Entretanto, como o MAS não vale, Lewis é mesmo tricampeão, então, TRÊS URRAS AO REI!!!!

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